AMADOR&TORCIDA

Buscar pelo site

Digite abaixo o que deseja buscar em todo o site da FMV

VÔLEI EM MINHA VIDA

Rayanne e Raissa, sonho em dose dupla


A paixão do mineiro pelo vôlei é inquestionável e, por consequência, são muitas as histórias do esporte que é o segundo na preferência do torcedor. Algumas delas são espetaculares, como por exemplo, a forma como Hilma Caldeira veio parar no Minas: por meio de uma carta enviada ao já falecido treinador Wadson Lima, que apostou na menina de Diamantina, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta’1996.

Existem também histórias de sacrifício, de uma mãe que deixa a vida do interior e vem para Belo Horizonte, apostando no futuro das filhas gêmeas. Ela é a comerciária Edina de Fátima Soares Gomes, de 46 anos, que largou emprego, casa e família, em Teófilo Otoni, para ficar com as filhas, Rayanne e Rayssa, de 16 anos, aprovadas num teste na equipe infanto-juvenil do Mackenzie. Sem emprego, Edina conta com a ajuda de um irmão, da mãe, e sua criatividade para pagar o aluguel de R$ 1 mil de um apartamento no Bairro Santo Antônio.

- Sou bordadeira e vendo cosméticos. Espero conseguir serviço para ajudar minhas filhas a se tornarem grandes jogadoras.

Tudo começou com a disputa dos Jogos Escolares de Minas Gerais, há dois anos, em Teófilo Otoni. O time da cidade contava com as irmãs e, na primeira fase, foi campeão com uma vitória sobre o maior rival: Governador Valadares. Um dos árbitros que trabalhou na competição, Jorge Brasiel, ficou impressionado e procurou Edina, sugerindo que ela trouxesse as gêmeas para um clube de Belo Horizonte.

- Eu não tinha condições. Criei as meninas sozinha. Tinha de trabalhar e não havia como sustentá-las aqui - conta Edina.


No ano passado, na disputa dos Jogos do Interior Mineiro (Jimi), o árbitro reencontrou as meninas e decidiu ajudá-las. Procurou o técnico Delicélio, do Mackenzie. O treinador entrou em contato com a mãe e elas vieram para um período de testes, junto com o ex-técnico Márcio Soares.

- No início, fiquei apavorada, pois elas estavam morando de favor na casa de um conhecido, mas não poderiam ficar mais lá. Tinham de estudar também. O clube ajudou. Um sócio pagou para elas morarem num pensionato. Mas elas sentiram, assim como eu. Afundaram nos estudos e foram reprovadas no Colégio Estadual.

Mas estavam na equipe de competição do Mackenzie. Era o primeiro passo para a realização de um sonho, que na verdade, segundo as meninas, era a continuidade do sonho da mãe.

- Minha mãe jogou vôlei quando jovem. Ela sempre mostrava as medalhas e contava histórias de jogos e campeonatos em Teófilo Otoni - diz Rayanne.

- Resolvemos que faríamos o que ela não conseguiu. Ela aprova, e muito o que estamos fazendo - completa Rayssa.

- Mudança

Terminado o ano de 2008, as meninas não poderiam continuar no pensionato. Edina queria acompanhá-las.

- Cheguei a ter depressão por ficar longe delas. Larguei meu emprego e vim, sem saber como fazer para me manter aqui. Fomos para a casa de meu irmão, em Betim, mas é muito longe. Comecei a procurar um lugar e achei, em Contagem, mas as meninas teriam de pegar quatro conduções. Resolvi arriscar. Consegui um apartamento ao lado do clube, caro, mas era a melhor alternativa. Vou me virando. Mas uma coisa é certa, faço de tudo para realizar o sonho de minhas filhas.


No que diz respeito a Rayanne e Rayssa no time do Mackenzie, o futuro parece estar garantido, pois são elogiadas pelo técnico Jamisson.

- Elas têm um grande potencial e como são esforçadas, podem vencer.

Sérgio Vera, técnico do time adulto, o Mackenzie Cia. do Terno, que está nas quartas-de-final da Superliga, tendo como adversário o São Caetano, de Fofão, Mari e Sheilla, concorda com Jamisson e faz um aposta.

- Elas têm tudo para chegar ao time principal, disputando a Superliga, mas têm de ter consciência de que, para isso, terão de trabalhar muito.

Ontem, as meninas participaram, pela primeira vez, do treino da equipe adulta. Foi apenas no trabalho de saque, mas já deu para sentir o gostinho, o que fez com que as gêmeas sonhassem ainda mais alto.

- Queremos muito jogar pelo Mackenzie, para daqui, chegar à Seleção Brasileira e, quem sabe um dia, disputar uma Olimpíada e conquistar a medalha de ouro - dizem, em coro.


Fonte: Ivan Drumond - Estado de Minas

Leia outros artigos:

  • - Vôlei em minha vida pelo jovem atleta Crauler
  • - Vôlei em minha vida pelo atleta André Nascimento
  • - Vôlei em minha vida pelo atleta Sheilla
  • - Vôlei em minha vida pelo atleta Roberto Minuzzi
  • - Vôlei em minha vida pela ex-atleta Márcia Fu
  • - Vôlei em minha vida pelo árbitro Chico
  • ^ topo do site